UMA POR DIA


Post especial: 12 anos sem Chico Science by umapordia
fevereiro 2, 2009, 12:00 am
Filed under: Música do dia | Tags: ,

chico-science

Amigos, hoje, 2 de fevereiro, faz 12 anos que morreu o querido Chico Science. Alguns gostam mais, outros menos, mas acho difícil de subestimar, seja por razões de qualidade artística, seja pelo contexto cultural que o Brasil vivia em meados dos anos 90 (cada um dá a ênfase que quiser), a importância do surgimento de Chico Science & Nação Zumbi e do movimento manguebeat, que junto com o Mundo Livre S/A, Mestre Ambrósio e outras, os caras souberam comandar. Minha visão é que, no início dos anos 90, havia um “espírito de época” que fazia com que a galera nova no Brasil buscasse soluções que superassem aquele que possivelmente foi nosso momento mais purista em matéria de música jovem, os anos 80. Há exemplos disso em vários lugares, mas num contexto em que o que havia de promissor no Rio durou pouco (p.ex., Mulheres que Dizem Sim) e em que a Bahia vinha perdendo claramente sua capacidade de experimentação (foram possivelmente os dois grandes polos musicais de maior projeção nacional das décadas anteriores), coube a Pernambuco, no fundo, resgatar e renovar mais uma vez a receita da “antropofagia” modernista, da mistura sem vergonha do local com o global, do velho com o novo (no caso, rock, funk e hip-hop com maracatu, emboladas, côco, repentismo, etc), fórmula que na música já nos dera tantas alegrias, entre outros exemplos, na origem do choro, na bossa e na tropicália. Acho que não é à toa que vários músicos importantes de outros estados que começaram a fazer sucesso depois do manguebeat (Pedro Luis e a Parede, Planet Hemp e Lucas Santtana são os que me vêm de memória) fizeram questão de render homenagem a CSNZ. Sem falar no empurrão do Gil, que deu uma força enorme pra galera do manguebeat (enquanto o grande mas tantas vezes equivocado Caetano dava tanta força ao Axé). Então, galera, em homenagem ao grande Carangueijo com Cérebro, o querido Malungo afrociberdélico, hoje o UMAPORDIA tem um post especial, com três momentos da brilhante trajetória e herança do nosso popstar (e mais um clipe memorável):

chico-science_da-lama-ao-caos“Rios, Pontes e Overdrives” – “Modificar o passado é uma evolução musical…” anuncia a introdução de Da Lama ao Caos, primeiro disco de CSNZ, de 1994, e aí começa uma seqüência que acho que é das mais felizes da música pop brasileira (pelo menos das faixas “Monólogo ao Pé do Ouvido” até “Da Lama ao Caos” só vejo pefeição).  “Rios, Pontes e Overdrives” é um liqüidificador rítmico: o dia que escreverem uma História Mundial do Groove, CSNZ vai estar junto com James Brown, Fela Kuti e outros gênios por conta de pedradas como essa… Escute a pérola aqui

“Inclassificáveis” – Arnaldo Antunes acertou em cheio quando convidou Chico pra gravar esse excelente tema (álbum O Silêncio, de 1996), defesa apaixonada da mestiçagem brasileira (“aqui somos mestiços mulatos cafuzos pardos mamelucos sararás crilouros guaranisseis e judárabes”). Essa incrível gravação sempre me fez pensar que, não tivesse morrido, era bem possível que Chico tivesse sido um quarto Tribalista, fechando o círculo Rio-Bahia-Pernambuco-São Paulo. Escute a pérola aqui!

“Malungo” – Morre o ídolo mas fica a herança. Depois da morte do Chico, o Nação Zumbi, antes de voltar em 2000 com toda a força para continuar com uma das mais importantes referências do som experimental brasileiro, lançou o álbum póstumo CSNZ, que tem músicas novas pós-CS, gravações ao vivo inédidas e remixes feitos por DJs de todo o mundo. “Malungo” abre o disco e é das homenagens mais tocantes que já vi: Nação, Jorge Ben –ídolo de toda a galera–, Fred 04 (Mundo Livre S/A), Falcão (Rappa) e Marcelo D2 (então Planet Hemp) reunidos pra dizer pro mestre que “tamos aí mandando brasa”! Dos funks mais poderosos que já escutei!! Escute a pérola aqui!

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Amigos, hoy, el 2 de febrero, hace 12 anos que murió el querido Chico Science. A algunos les gusta más, a otros menos, pero me parece difícil subestimar, sea por razones de calidad artística, seja por el contexto cultural que vivia Brasil en mediados de los 90 (cada uno pone la énfasis que quiera), la importancia del surgimiento de Chico Science & Nação Zumbi y del movimento manguebit o manguebeat  (mangue quiere decir manglares), que junto a Mundo Livre S/A, Mestre Ambrósio y otros, los tipos supieron comandar. Mi visión es que, en el principio de los 90, havia un “espírito de época” que hacia con que la gente joven en Brasil buscara soluciones que superaran aquel que posiblemente fué nuestro momento más en lo que dice respeto a la música joven, los años 80. Hay ejemplos de eso en varias regiones, pero en un contexto que lo que habia de más promisor en Rio duró poco (p.ex., Mulheres que Dizem Sim) y en que Bahia venia perdiendo claramente su capacidad de experimentación (fueron posiblemente los dos polos musicales de mayor proyección nacional en las decadas anteriores), ha cabido a Pernambuco, en el fondo, rescatar y renovar una vez más la receta de la “antropofagia” modernista, de mescla desavergonzada de lo local con lo global, del viejo con lo nuevo (en el caso, rock, funk y hip-hop con maracatu, emboladas, côco, repentismo, etc), fórmula que en la música ya nos diera tantas alegrias como, entre otros ejemplos, en el origen del choro, en la bossa y en la tropicália. Creo que nos por acaso que varios músicos importantes de otros estados que empezaron a tener éxito despues del manguebeat  (Pedro Luis e a Parede, Planet Hemp y Lucas Santtana son los que me ocurren de memoria) hicieron cuestión de rendir homenaje a CSNZ. Sin hablar en el empujón que les dió Gilberto Gil, que dió mucha fuerza a los jovens del manguebeat (mientras el grande pero tantas veces equivocado Caetano daba todo su apoyo al Axé). Entonces, galera, en homenaje al gran Carangrejo con Cerebro, al querido Malungo, hoy el UMAPORDIA tiene un post especial, con tres momentos de la brillante trayectoria de nuestro popstar y más un videoclip:

chico-science-e-nacao-zumbi_afrocibederlia“Rios, Puentes y Overdrives” – “Modificar el pasado es una evolución musical…” anuncia la introducción de Da Lama ao Caos (Del Barro al Caos), primer disco de CSNZ, de 1994, y ahi empieza una secuencia que creo yo es de las más felices de la música pop brasileña (por lo menos entre los temas “Monólogo ao Pé do Ouvido” hasta  “Da Lama ao Caos” solo veo perfección).  “Rios, Pontes e Overdrives” é una licuadora rítmica: el dia en que escriban una História Mundial do Groove, CSNZ va estar junto con James Brown, Fela Kuti y otros genios por cuenta de piedras como esa… Escuche la perla acá

“Inclassificables” – Arnaldo Antunes acertó en lleno cuando invitó a Chico a grabar este excelente tema (álbum O Silêncio, de 1996), defensa apassionada del mestizaje brasileño (“aqui somos mestiços mulatos cafuzos pardos mamelucos sararás crilouros guaranisseis e judárabes”). Esta increíble grabación siempre me hizo pensar que, si no hubiera muerto, era posible que Chico hubiese sido un cuarto Tribalista, cerrando el círculo Rio-Bahia-Pernambuco-São Paulo. Escuche la perla acá!

“Malungo” – Muere el ídolo pero queda la herencia. Despues de la muerte de Chico, la banda Nação Zumbi, antes de volver en el 2000 con toda su fuerza para seguir como una de las más importantes referencias de lo experimental en Brasil, sacó el álbum póstumo CSNZ, que tiene temas nuevos post-CS, grabaciones en vivo ineditas y remixes hechos por DJs de todo el mundo. “Malungo” abre el disco y es de los homenajesmás tocantes que ya vi: Nação, Jorge Ben –ídolo de toda esa gente–, Fred 04 (Mundo Livre S/A), Falcão (Rappa) y Marcelo D2 (entonces Planet Hemp) reunidos para decirle al maestro que “tamos aí mandando brasa” (“seguimos acá trabajando fuerte”)! De los funks más poderosos que ya escuché!! Escuche la perla acá!

Clipe de “Maracatú Atômico”, clássico de Jorge Mautner e Nelson Jacobina, música gravada originalmente por Gilberto Gil, e regravada por CSNZ no álbum Afrociberdelia

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7 Comentários so far
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COMPROVADO:

ESTE BLOG TEM UM CHAMEGO ESPECIAL POR PERNAMBUCO!!!

VIVA CHICO SCIENCE E NAÇÃO ZUMBI!!!

Comentário por Gustavo

Esqueci de mencionar, Carlos, que achei muito boa a sua análise do período que segue o BRock dos anos 80 e das alternativas que surgiram a ele nos anos 90. Entendi, acho, que, quando você chama de “purista” a música dos anos 80, isso quer dizer que aquele pessoal do BRock, em grande medida, emulava uma estética do rock tal como tocado e cantado no exterior naquela época. Creio que a exceção – talvez o turning point – é o disco “Selvagem!” do Paralamas. Tenho uma explicação de “sociologia de botequim” para isso. Naquele momento, o rock brazuca era a expressão mais desbragada de rebeldia depois de um longo período de censura. Os questionamentos estéticos sobre, por exemplo, identidade/cultura nacional ( o que quer que isso signifique) vieram apenas depois de um período inicial, em que se realizava eminentemente uma espécie de catarse coletiva.

Comentário por Gustavo

Opa, Gustavo, vc entendeu bem, era isso mesmo que queria dizer. Tb acho que o Paralamas é a exceção mais importante nesse contexto, e não é a toa que rola um reconhecimento importante do papel dos caras pela geracao que vem depois. Viva toda a “sociologia de botequim”! abracao

Comentário por umapordia

Chico Science nos foi tirado violentamente há doze anos atrás.
“… modificar o passado é uma revolução musical”

Viva Chico!!!

Comentário por Luciene Malta

Viva, Luciene!
Quase botei o “Monólogo ao Pé do Ouvido” pra galera escutar. É todo um manifesto, né?, os caras chegaram avisando que vinham pra arrepiar! E “Cadê as notas que estavam aqui / Não preciso delas! / Basta deixar tudo soando bem aos ouvidos” é o que há de mais punk!
Bem-vinda!

“Modernizar o passado
É uma evolução musical
Cadê as notas que estavam aqui
Não preciso delas!
Basta deixar tudo soando bem aos ouvidos
O medo dá origem ao mal
O homem coletivo sente a necessidade de lutar
o orgulho, a arrogância, a glória
Enche a imaginação de domínio
São demônios, os que destroem o poder bravio da humanidade
Viva Zapata!
Viva Sandino!
Viva Zumbi!
Antônio Conselheiro!
Todos os panteras negras
Lampião, sua imagem e semelhança
Eu tenho certeza, eles também cantaram um dia.”

Comentário por umapordia

Chila Relé dó molindró.

Comentário por Carlos Henrique

Show, Carlos Henrique!! “Um passo à frente E você não está mais no mesmo lugar”!

Comentário por umapordia




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