UMA POR DIA


As peripécias carnavalescas de Eddie na divertida e cantarolante “Eu ia” by umapordia
janeiro 29, 2009, 12:30 am
Filed under: Música do dia | Tags:

 eddie-2

Galera, hoje não deu pra segurar a vontade de botar Eddie pra vcs ouvirem!! O leitor/ouvinte Clausius, que, em seu dizer, está no “planeta Pernambuco, o lugar mais efervescente do mundo entre janeiro e fevereiro” –afirmação com a qual só posso concordar– nos dá a boa notícia de que o totalmente independente “Carnaval no Inferno” vendeu a primeira tiragem de 3 mil cópias em duas semanas (acredito, só eu comprei 3 e ganhei 2 –além disso, também sempre tá no topo das buscas pelo Google que fazem as pessoas chegarem no blog), rolaram 4,5 mil downloads só no Sombarato e que já tem fila de espera para a segunda tiragem, que sai no pré-Carnaval. Bom, então vamos hoje de Eddie! Uma das razões pelas quais curto pra caramba essa banda é porque passa com louvor no critério “gosto da minha filha”, de 5 anos (normalmente, se a criançada curte, é porque é bom: alguém já viu criança não gostar de Jorge Ben, Pixinguinha ou Kevin Johansen? É só fazer escutar…). Música pra família total! A de hoje é divertida, cantarolante e dançante “Eu ia”, que está no já clássico Original Olinda Style, de 2003, disco que marcou de vez a identidade sonora da Banda (sem prejuízo de que ela tenha evolução clara a cada disco, mas a partir daí do OOS ficou um “algo” inconfundível). A música narra as peripécias carnavalescas do narrador, que combina de ir até a casa da namorada, e, claro, no caminho, acaba se deixando levar pela folia de Olinda, encontrando blocos como o “Acho é pouco” e o “Elefante”, mas, no final, acaba encontrando Maria, perdida e feliz como o cara. Coisa linda!! Eu ia, ia, iaa, quase que ia, lá pra casa de Maria!! Escute a pérola aqui!!

P.S.: Clausius nos conta ainda (valeu!) da tremenda programação que deve rolar no RecBeat, um dos principais festivais de música independente do Brasil, que rola todos os anos em Recife durante o carnaval. Entre outros: Eddie, Cordel do Fogo Encantado, DJ Dolores, Catarina Dee Jah (Pernambuco), Turbo Trio (Rio), Burro Morto (Paraíba), BombaEstereo (Colombia), Desorden Publico (Venezuela), Original Hamster (Chile) e tão negociando a vinda do Afrika Bambaataa. E tem mais, este ano vai rolar a primeira edição do Rec-Beat São Paulo, no SESC Pompéia, de 26 a 28 de fevereiro. Mais informações no blog Andando em Pé. Que vontade de fazer turismo musical!!

eddie_original-olinda-styleGalera, hoy no pude evitar las ganas de hacerlos escuchar Eddie!! El lector/oyente Clausius, que, en sus palabras, está en el “planeta Pernambuco, el lugar más eferveciente del mundo entre enero y febrero” –afirmación con la cual solo puedo estar de acuerdo– nos trae la buena noticia de que el totalmente independiente “Carnaval no Inferno” vendió su primer edición de 3 mil cópias em dos semanas (lo creo, pues me compró 3 y gané 2 –además, tambien siempre está en el tope de las busquedas con Google que hacen gente nueva llegar al blog), hubo 4,5 mil downloads solo en Sombarato y que ya hay una cola para la segunda ediciõn, que sale en el pre-carnaval. Bueno, entoncer vamos de Eddie! Una de las razones por cuales más me gusta esa banda es porque pasa con mérito en el critério “gustos de mi hija”, de 5 años (normalmente, si les gusta a los niños, es porque es bueno: alguien ya vio a un niño que no le guste Jorge Ben, Pixinguinha o Kevin Johansen? Es solo hacerlas escuchar…). Música para toda la familia! El tema es el divertido, cantarolante y bailable “Eu ia”, que está en el ya clássico Original Olinda Style, de 2003, disco que marcó definitivamente la identidad sonora de la banda (sin prejuizo de haya una evolución muy clara a cada disco, pero a partir del OOS que un “algo” inconfundible). El tema narra las peripécias carnavaleras del narrador, que arregla de encontra de ir hasta la casa de su novia y, claro, en el camino, terminar dejandose llevar por el carnaval de Olinda, encontrando cumparsas como el “Acho é pouco” (Creo que es poco) y el “Elefante”, pero, al final, termina encontrandola a Maria, perdida e feliz como él. Cosa linda!! Yo iba, iba, iiba, casi que iba, a la csa de Maria!! Escuche la perla acá!!

P.S.: Clausius nos cuenta todavia (gracias!) de buenissima programación que debe de haber en el RecBeat, uno de los principales festivales de música independiente de Brasil, que sucede todos los años en Recife, capital de Pernambuco, durante el carnaval. Entre otros: Eddie, Cordel do Fogo Encantado, DJ Dolores, Catarina Dee Jah (Pernambuco), Turbo Trio (Rio), Burro Morto (Paraíba), BombaEstereo (Colombia), Desorden Publico (Venezuela), Original Hamster (Chile) y están negociando que venga Afrika Bambaataa (EE.UU.). Y hay más, este año va a haber la primer edición del RecBeat São Paulo, en el SESC Pompéia, de 26 a 28 de fevereiro. Más informaciones en el blog Andando em Pé. Que ganas de hacer turismo musical!!

MySpace da banda Eddie

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24 Comentários so far
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Eu já vinha defendendo que tem jabá pernambucano neste blog. Agora está mais do que comprovado! Viva a música armorial do século XXI!!! Ahahahah!!!

Comentário por Gustavo

Muuy amigo vc hehehe!! Espera pra ver segunda! E os blogs (este e muitos outros) são exatamente o contrário do jabá: fazem um esforço danado pra mostrar o que as grandes gravadoras não deixam tocar no rádio, na tv, etc! Política de ação afirmativa musical, pan-brasileira, afrofuturista e manguefônica hhehehe

Comentário por umapordia

Eu sabia que você ia comprar a minha provocação. Reconheço que os blogs, sobretudo no meu caso o “Uma por dia”, fazem um tremendo esforço para divulgar os que as gravadoras não têm interesse de mostrar. Daí que a gente vê que tem muita coisa boa e inovadora rolando fora do circuito tradicional do showbizz. Isso é fundamental!!! Mas que este blog tem um chamego especial por Pernambuco, ah isso tem. hehehe!!!

Comentário por Gustavo Senechal

Claro que tem!

Comentário por umapordia

Gustavo : aquí em PE a afirmação CULTURAL popular esta indo de vento em popa (hoje já assinei um abaixo assassinado e sei que tem pelo menos outros dois CIRCULANDO) ! a plim plim tá exigindo que uma monstruosidade denominada CALYPSO saia no megabloco galo da madrugada para que eles transmitam pelo menos uma atração NACIONAL. a plim plim tá andando em terreno perigoso mexendo com os brios pernambucanos justamente no periodo onde a trincheira cultural está a flor da pele. Andando por Alagoas , Sergipe e Paraiba por questões de ofício, vejo e ouço manifestações populares fabulosas só precisando de um interprete e tradutor a altura.Alguém aí já presenciou o guerreiro do interior alagoano ? o cavalo marinho da mata norte pernambucana ? a nau catarineta paraibana ? são de uma beleza plástica , sonora e imagética fabulosas. vamos deixar o padrão global destruí-los trocando-os pela monstruosidade CALYPSO ? viva este blog e todos os blogs que lutarem contra a padronização cultural – a bem da verdade creio que a musica brasileira está sendo salva pelos blogs e por picuinhas fantasticas como esta que hora celebramos. sem mais….

Comentário por clausius

Clausius:

rapaz, só posso fazer coro ao manifesto de vocês. Calypso no Galo da Madugada é uma profanação. Como é que o pessoal daí pode deixar um negócio desse acontecer?! Onde é que nós estamos?! O pessoal ficou maluco?! E eu achei que Pernambuco tivesse o Carnaval menos poluído do país.

Quisera eu poder ver todas essas manifestações culturais que você me menciona. Acontece que, tal qual o Carlos, moro fora do país. Só para esclarecer, as minhas provocações são apenas uma brincadeira com o Carlos, meu grande amigo e chefe em comando deste blog. Na real, sou o maior fã do seu estado, um dos pólos criativos mais importantes do país. Mas que esse blog tem um chamego especial com Pernambuco, ah isso tem. Hahaha! Abs!

Comentário por Gustavo

Pô Gustavo, vai fugir fácil assim da polêmica? Agora que vc já ficou mal na fita hehehe? Essas polêmicas são um prazer… Tô meio correndo, mas só quero reforça o ponto do Claudius: se depender da grande indústria, a cultura brasileira vai ser cada vez menos integrada, em vez de um país, um arquipélago, carioca consumindo coisa de carioca, paulista consumindo coisa de paulista, pernambucano consumindo coisa de pernambucano e por aí vai… eu acho que lutar contra isso é grande contribuição dos blogs, pq não vejo nenhuma gravadora média/grande, rádio ou canal de Tv lutando contra isso, pelo contrário. Valeu!

Comentário por umapordia

Carlito, você vai querer polêmica onde não tem polêmica? Acho que nós três estamos de acordo a respeito da necessidade de escapar dessa perspectiva de ter apenas uma via de divulgação da produção cultural do país. Quem for contra a diversidade que atire a primeira pedra!

Polêmica mesmo é colocar o Calypso no Galo da Madrugada. Embora, por outro lado, alguém pode dizer que é uma interessante de tão inusitada. Acho que o Hermano seria capaz de defender um argumento desse. Até para desarmar uma tendência que a gente tem de se fechar em nichos musicais/ culturais ditos “puros” e rejeitar os fenômenos de massa. Isso dá uma boa discussão. Vai encarar?! Hehehe!!!

Outro ponto polêmico e tentador é simplesmente satanizar “a grande indústria” cultural do país. Será que ela não nos apresenta nada de bom? Tenho minhas dúvidas e posso, acho, dar alguns exemplos.

Mas que este blog tem um chamego especial com Pernambuco, ah isso tem. Hahaha!!!

Comentário por Gustavo

non capisco nulla ma e’ tutto molto bello
ciao

Comentário por Muriel

Hi Muriel, this is the best comment ever! Thank you so much!! I feel really glad that you enjoy the music. I put a song everyday for people to hear. Mostly quite recent music from Brazil, but not only that. Tell me if you wanna join the mailing list, or otherwise just feel free to visit us anytime you want. Benvenuto!

Comentário por umapordia

Carlitox
Gastei este Cd na viajem de ano novo…
beijos

Comentário por carlita

Carlita, isso é o que importa!! Esse disco é uma ótima companhia para os momentos buena onda da vida… beijao

Comentário por umapordia

no te preoccupe de falar ingles
dejo los pinche idioma de los gringos, ya tengo que falarlo díario

yo no falo portuguese pero entre italiano y español puedo intenderlo facil

Comentário por muriel

Entonces, eres italiano o mexicano hehehe (por lo de “pinche”)? Saludos y bienvenido/a. Abraço e bem-vindo/a!

Comentário por umapordia

conta gotas II

alguém aí conhece o gênio ARMANDO LOBO ?
para quem não conhece leia o artigo no sitio
odisseiadepenelope.zip.net/arch2005-01-01_2005-01-15.html
digo logo , ele não é de fácil deglutição e com
certeza ninguém passeia tão fácil pela musica hermético-popular brasileira hoje e agora

tomara que este blog continue com chamego especial por pernambuco , deste modo teremos inúmeros conta gotas , e tenho dito !

Comentário por clausius

em resposta a satanização da “grande industria” eu reporto o texto e o sitio do blog estuário
prá vôs mecê ter uma idéia do que a “grande industria” pode vir a destruir
http://www.estuario.com.br/2008/01/29/para-quem-vai-perder-o-carnaval-de-pernambuco/

Samarone Lima

Amigo, se você está longe do Carnaval de Pernambuco, e não tem como resolver este drama existencial, há duas opções.
A primeira: Você vai pensar muito, lembrando da manhã de sol do Galo da Madrugada, as farras memoráveis do Acho é Pouco, as milhares de troças, subindo e descendo aquelas ladeiras intermináveis de Olinda, e vai sofrer em excesso. Se você está longe do Recife, e começar a passar na cabeça o filminho do Carnaval do ano passado, ou retrasado, ou daquele Carnaval inesquecível de 2000, quando você conheceu alguma colombina com restos de maquiagem e um sorriso devastador, vai sofrer mais ainda. Cuidado com essa mania de lembrar, porque você vai sofrer. Outra opção, é fingir que não está acontecendo nada, que você não vai sentir uma pontada no coração, uma fisgada no sentimento, uma luxação na saudade, quando chegar a sexta-feira, e o Lili Nem Sempre Toca Flauta sair por algum descaminho, naquela multidão de sôfregos, enlouquecidos pela festa mais aguardada do ano.
Não faça isso, amigo, esse fingimento provoca mais dor ainda. Também não venha com aquela conversa de que “Carnaval tem todo ano”, porque todo mundo sabe disso, mas o pernambucano tem uma febre a mais, um desespero a mais, uma perturbação na alma. Sabe-se muito bem que ao toque de uma reles orquestra de frevo, a mais raquítica e mal paga, com músicos suicidas que tocam saxofone e trompetes fumando cigarros envenenados, doentes levantam do coma na Restauração e descem pinotando. Retornam na quarta-feira de cinzas, depois do Bacalhau do Batata, como se nada tivesse acontecido, e morrem docemente, felizes. Morrem sorrindo.
Essa desculpa singela e falsa do “Carnaval tem todo ano”, é uma ilusão. Não seja patético.
Se você está longe e vai tentar o fenômeno da compensação, cuidado, amigo, o erro pode ser fatal. Você não vai encontrar os Batutas de São José em nenhuma parte do imenso globo terrestre, e nenhum hino vai incendiar seu coração numa nuvem de tempestades e raios, como o hino de Ceroulas. Desconheço povo que prometa, todo ano, ir para a lua, para ver se lá tem Carnaval. O Pernambucano faz isso todo ano, e não se cansa.
Resta a humildade de reconhecer que este ano, não vai dar. Calce as sandálias da humildade, nada de pensar muito ou pensar nada. O coração vai doer, você sabe disso. Aqui vai o único conselho. Onde você estiver, não procure os pernambucanos, amantes do Carnaval, durante esses dias. O pernambucano, longe de seu estado, em pleno Carnaval, é uma pessoa perigosa e extremada, com as emoções à flor da pele. Pode se embebedar com um copo de cerveja, e chorar se alguém falar, ao acaso, o nome de Capiba. Até a quarta-feira de cinzas, deixe-os quietos. Estarão todos inconsoláveis, saudosos, falando de pastoras, Olinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelom, cadê seus blocos famosos. Todos estarão gemendo de uma saudade impossível de conter, enumerar. Chama-se Antônio Maria, o poeta que perguntou o fundamental:
“De que adianta se o Recife está longe, a saudade é tão grande, que eu até me embaraço?”
Acho melhor parar por aqui. Estou mexendo com emoções fortes, e será meu primeiro Carnaval fora da minha pátria, nos últimos sete anos.

Sei que ainda faltam alguns dias, mas sei que naquela terra amada, todos já respiram, comem, dormem, sonham, projetam a grande festa.

A todos, um lindo Carnaval.

tomara que este blog continue com xódo por pernambuco, deste modo continuaremos enviando conta gotas textuais e tenho dito !

Comentário por clausius

Antes de tudo… MUITO BOA A MÚSICA (ninguém tinha elogiado-a especificamente até agora) … quero esse disco de presente… meu aniversário é em março…. Já que vc tem tantos, guarda um pra mim.
Indo adiante… e VIVA A POLÊMICA!!! Mesmo onde ela não exista (dáááá-lhe Sené! Saudades. Saudações por 17/01 quae serae tamen)
Clausius, lindo o texto. Como eu era adolescente nos anos 80 vou de “essa saudade que eu sinto de tudo que eu ainda não vi”
E Carlos… agora, que esse blog tem um que por Pernambuco, hehehe
Muriel, benvenuta! chi parliamo la lingua universale: musica!
beijocas cariocas para todos, Paula

Comentário por Paula Machado

Oi Paula, que bom q vc gostou da música. Já não tenho mais cds: trouxe-os para divulgar no Rio da Prata e já se foram, mas vou tentar conseguir pro teu cumple. bjo

Comentário por umapordia

Clausius, meu caro,

na minha circunstância incontornável, a única solução para o Carnaval, ou a falta dele, aqui no frio invernal de NY, é escutar João Gilberto, que tem uma escola de samba inteira dentro do violão, cantando “Adeus América” de Haroldo Barbosa e repetir, como mantra, o refrão: “o samba mandou me chamar, o samba mandou me chamar”.

Armando Lobo e o filho dele, Edu Lobo, são geniais.

Abraços!!!

Comentário por Gustavo

o pai de edu lobo é o fernando lobo não o armando lobo

Comentário por clausius

Ops! Falha nossa. Escrevi sem pensar. Pode crer. Fernando Lobo é meu preferido, então, junto com o filho dele, que é um dos maiores músicos e letristas do Brasil.

Paulinha, minha querida, senti mesmo falta da sua mensagem no meu aniversário. Saudades também.

Benvenuta, Muriel!

Carlito, estou esperando segunda-feira o blog bombar.

Saudações!

Comentário por Gustavo

Mais uma crônica colhida no blog estuario para colocar pimenta nos olhos da “grande industria cultural”
blocos, troças e outras paixões do carnaval recifense, por samarone lima
Ah, o recifense, esse eterno apaixonado pelo Carnaval…. Olhe para o lado, veja se alguém do seu trabalho, de sua família, da escola, não tem um bloco, uma troça. Alguém no Recife sempre está vinculado afetivamente a algum bloco, troça, algo que se movimenta, agrega, reúne, imortaliza, antes e depois da grande festa. /// Aquele senhor muito sério, de cara dura, enigmático, antipático para uns, um mistério, para outros, poderá ser visto em alguma rua transversal, de algum bairro longínquo, carregando um estandarte a meio pau e dizendo que este ano ninguém segura o rojão da turma dele. Ele estará com os óculos devidamente embaçados pela neblina do àlcool, mas ninguém vai comentar que aquele é o homem sério da Compesa, porque ele estará protegido pela turma do “Bloco do Cachorro Manso”, ou “Não sai do canto”, ou nomes que a criatividade humana permite./// Quem não fundou um bloco ou troça, um dia vai fundar. Quem não ajudou a criar uma letra para ser cantada naquele dia do Carnaval, ainda vai criar. Em algum bar do Recife sempre haverá alguém com aquele peito estufado, olhos vazando luz, e um comentário:
“Ajudei a compor o hino do Sobe e Desce, do Alto Santa Isabel”, em abril de 1975.
Bloco, troça, essa paixão tipicamente recifense. Uma paixão que envolve rifas, os famosos bingos de janeiro, confecção de camisas, o acerto com a orquestra do ano, a feijoada do dia, o pedido de patrocínio em ofícios meia-boca para Pitú e Prefeitura. ///Bloco e troça, paixão que gera discussões acaloradas sobre o percurso, a falta de organização, mas cá entre nós, triste da troça que ganha diretoria. /// “Meu bloco sai no sábado, na frente do bar de fulano, na Várzea”, diz um camarada em um boteco.
Subitamente, ele tem algo que é seu. Pode não ter nada, mas tem algo. O seu bloco.
“Minha troça esse ano não está fraca não, visse?”, diz outro, já renovado de algum fracasso recente. Se a sua troça não está fraca, como a vida vai ficar mais ou menos?
E no fundo, o que gera a paixão pelo bloco ou troça é justamente isso. Algo que se compartilha com amigos, que se perpetua nos bairros, nos lugares de trabalho, que dá uma volta no quarteirão, e na volta, já estão todos bicados. Bem diferente das confraternizações de dezembro, os blocos confraternizam sem as barreiras das mesas e o inusitado do amigo secreto. No Carnaval, o chefe do setor pode ser recebido com um bom abraço do contínuo, com o breve aviso:
“Já aprendesse a dançar frevo?”
A partilha da alegria, a certeza de que com muito pouco se faz uma festa. Uma bermuda, a camisa da troça, um estandarte, uma orquestra. Não é preciso jurados. Ninguém se apresenta para outros olhares, os legitimadores. Ninguém quer saber se tirou dez, em nenhum quesito. Todo bloco ou troça que consegue sair, mais um ano, apesar dos pesares, tira sempre dez. É apenas aquele porre de alegria, as ventas soltando fogo, quem achar bonito, que ache, quem não achar, problema seu.
É isso, talvez. Em cada bloco ou troço, tem um pedacinho quase invisível de cada um. É a beleza e a grandeza das coisas pequenas.
E cada um deles é um pedacinho precioso do belo Carnaval do Recife, que vai chegando como aquela grande onda, mas por enquanto só vemos e sentimos as marolas.
ps.Como não sou de ferro, outro dia ajudei a fundar a “Troça Carnavalesca Mista Os Barba”, que sai da frente da mercearia de Seu Vital, no Poço da Panela, há seis anos. Esse ano, estamos mais esculhambados e atrasados que nunca, o que é uma virtude, para qualquer troça que se preze.
Estuário: crônicas do Recife ( do estrangeiro cearense Samarone Lima )
Vos mecês já imaginaram a “ grande industria “ colocando ordem nesta maravilhosa anarquia

Comentário por clausius

Conta gotas III
para o gustavo do genial Edu Lobo , para a picuinha “ grande industria cultural”

Se eu começo a fazer “aliança” com todos os tipos de música do mundo, qual é a identidade que teria esta música? ( Edu Lobo )

Um belo questionamento produtor X artista que se encontra em entrevista no sítio espanhol
http://www.acpe-corresponsales.com/articulos/Edu%20Lobo1.doc

outra entrevista com Edu Lobo que vale uma visita por sair do lugar comum, se encontra em

http://www.edulobo.com/textos/constr_desconstr/condescon01.html

como sou bio-geo-quimico , vou a campo e talvez não encontre a net disponivel encerrarei meus excessos por uns dias, abraços

Comentário por clausius

Conta gotas III

De Edu Lobo para a picuinha “ grande industria cultural”

Se eu começo a fazer “aliança” com todos os tipos de música do mundo, qual é a identidade que teria esta música? ( Edu Lobo )

Um belo questionamento produtor X artista que se encontra em entrevista no sítio espanhol
http://www.acpe-corresponsales.com/articulos/Edu%20Lobo1.doc

outra entrevista com Edu Lobo que vale uma visita por sair do lugar comum, se encontra em

http://www.edulobo.com/textos/constr_desconstr/condescon01.html

QUANTO A ARMANDO LOBO , veja o que falam do rapaz
na revista continente
Ouvir Alegria dos Homens de Armando Lôbo é colher o grão de uma voz que em um misto erótico, ludismo do sagrado e do profano, consegue o perfeito equilíbrio entre timbre e letra. A música de Armando Lôbo é uma arte de conduzir o nosso corpo, é uma linguagem revestida de pele, uma espécie de estereofonia da carne profunda pelos temas de que trata, pela pesquisa de ritmos que apresenta. O jazz, a bossa, o samba, a canção, o frevo estão nesta obra revigorados. As contradições do amor, o jogo de identidade cultural, a violência e a ternura dos gestos amorosos, do social, dos subúrbios, da religião, dos cultos místicos, o caráter alegórico do futebol, são também renovados nas letras de Alegria dos Homens.
vão em buca dele e logo

Comentário por clausius




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